em estado sólido) contidos num invólucro duro geralmente constituído de gelatinas ou polissacarídeos, naturais ou sintéticos.
Tópicos abordados:
As cápsulas duras são geralmente um invólucro cilindriforme formado por um corpo e uma tampa. A Figura 1 abaixo apresenta uma cápsula de completar aberta manualmente mostrando o corpo e a tampa.
Figura 1. Representação de uma cápsula dura aberta.
Como esquematizado na Figura 2, o corpo e a tampa apresentam sulcos atreláveis que permitem a trava da cápsula. Certos tipos de travas, se violadas, levam à ruptura do invólucro dificultando assim a violação da cápsula.
Como um terceiro elemento de segurança, as cápsulas após fechadas podem receber ainda uma selagem com uma “cinta” de gelatina dura, a qual também tem por finalidade proteger o ativo e minimizar os riscos de violação. Tal processo é feito com o auxílio de máquinas especiais que não são encontradas no magistrado.
Composição e fabricação do invólucro das cápsulas
O invólucro das cápsulas é previamente fabricado com materiais biodegradáveis com diferentes propriedade de liberação do conteúdo no trato gastrointestinal. O Quadro 1 lista os principais materiais usados na indústria farmacêutica segundo Kharkwal, Bala & Katare (2013) e revisões recomendadas;
Quadro 1. Principais materiais usados na indústria farmacêutica, segundo Kharkwal, Bala & Katare (2013).
Após a obtenção do material, os invólucros (corpo e tampa, separadamente) são moldados por um processo denominado “Hot-melt Extrusion”, realizado num único equipamento capaz de derreter o material homogeneamente, desgaseificar e forçar a passagem da massa derretida em um molde. O processo de extrusão em si é dinâmico, e cada máquina é capaz de produzir entre 1 a 3 kg de cápsulas por hora (Maniruzzaman, 2012). O vídeo abaixo apresenta o funcionamento de uma extrusora usada na fabricação de cápsulas para medicamentos.
Vídeo sobre o funcionamento de uma extrusora usada na fabricação de cápsulas para medicamentos.
As cápsulas podem ainda serem transparentes, foscas incolores ou coloridas artificialmente, facilitando a identificação do medicamento ou mesmo com finalidades estéticas e de marketing, à exemplo, cápsulas com conteúdos líquidos não aquosos ou fitoterápicos como pó seco de Ginkgo biloba geralmente apresentam-se como cápsulas transparentes como mostra a figura abaixo.
Figura 2. Cápsulas transparentes de fitoterápico e cápsula transparente com conteúdo líquido. Disponível em <https://www.istockphoto.com/br/foto/branco-garrafa-na-lateral-spilling-transparente-cápsulas-na-piscina-gm147670095-6686761> e <https://pt.dreamstime.com/foto-de-stock-cápsula-l%C3%ADquida-do-gel-do-ouro-da-vitamina-d-image98610935>.
Preparo das cápsulas
Como apresentado anteriormente, as cápsulas são fabricadas em oito tamanhos padrões, porém podem ser preenchidas com as mais diversas formulações.
Na preparação de cápsulas há dois postulados que devem ser seguidos como regra:
1. As cápsulas raramente são completamente preenchidas apenas com o princípio ativo por uma razão muito simples; com uma série limitada de volumes de cápsulas e com uma diversidade muito grande de formulações, a coincidência entre o volume da cápsula e o volume do ativo é improvável;
2. As cápsulas raramente são preenchidas incompletamente.Também por uma razão muito simples; o enchimento das cápsulas é feito com “precisão volumétrica” usando a cápsula como o próprio “instrumento” de medida de volume fixo.
Comentários dos autores: “É de fato um tanto estranho pensar que a quantidade do ativo por cápsula especificado no rótulo nunca é pesado por cápsula.”
Portanto numa situação ideal, o ativo é misturado homogeneamente com uma quantidade calculada de excipientes de tal modo que, ao preenchermos todo o volume da cápsula com a mistura, tenhamos a quantidade exata de ativo que foi previamente definida para cada cápsula.
Tamanhos
As cápsulas são fabricadas em 8 (oito) tamanhos padronizados (Figura 3), e seguem uma numeração específica e universal inversamente proporcional ao volume (Pinheiro, 2008), como mostra a figura abaixo.
Figura 3. Tamanhos padrões de cápsulas.
Encontrando o tamanho da cápsula
Para saber qual tamanho de cápsula usar deve-se primeiro saber qual será o volume ocupado pelo ativo. Para tanto emprega-se a técnica da densidade aparente.
No cálculo da densidade aparente pesa-se toda a massa de ativo necessária para a formulação. Esta é toda transferida para uma proveta, compactando-se levemente o ativo na proveta (com algumas batidas leves na bancada apenas) e mede-se o volume obtido.
A densidade aparente (em mg/ml) será a razão de massa do ativo adicionado à proveta (em mg) pelo volume ocupado pelo ativo na proveta (em ml).
Comentários dos autores: “Denominamos densidade ‘aparente’ dado que esta é uma densidade média, segundo a físico-química, uma propriedade extensiva não aditiva, dado que a medida foi obtida para um sistema (a priori) heterogêneo (dada a presença de ar entre os grânulos de cristais do ativo). Se o sistema fosse declaradamente homogêneo (como um único, íntegro e perfeito cristal de um dos ativos) e a medida obtida fosse válida para todos os pontos do sistema poderíamos chamar a medida de densidade propriamente dita, uma propriedade intensiva.”
Calculada a densidade aparente, ela pode ser usada para encontrar o volume da cápsula num nomograma, que relaciona a densidade aparente, a massa por comprimido e o tamanho ideal da cápsula (ver Figura 4).
Figura 4. Nomograma entre Tamanhos padrões de cápsulas e a densidade aparente. Disponível em <https://addi.ehu.es/bitstream/handle/10810/27631/Cuaderno_de_Practicas_TF_II%20%202018.pdf?sequence=1&isAllowed=y>.
Como já mencionado, o volume da cápsula sempre será maior que ocupado apenas pelo ativo. A diferença portanto deve ser compensada pelo excipiente, multiplicando a diferença de volume por cápsula pelo número de cápsulas. O excipiente pode ser medido volumetricamente e adicionado ao ativo, misturando-se homogeneamente.
Excipientes mais usados
Os excipientes devem, segundo Paludetti (2010), “permitir uma correta liberação, proporcionar uma cápsula com uniformidade de peso e teor e garantir a estabilidade da preparação durante todo o prazo de validade”.
Para tanto, são usados lactose, celulose microcristalina, amido, lauril sulfato de sódio, aerosil, estearato de magnésio (Nascimento, Chiari-Andréo & Pilon, 2015) e outros.
Em alguns casos o excipiente é um desintegrante, isto é, tem a função de induzir a rápida ruptura do invólucro, à exemplo, AcDiSol, Primojel, Polyplasdone-XL 10 e amido de milho (Botzolakis & Augsburger, 1988).
Enchimento das cápsulas
Em posse da mistura homogênea de excipiente e ativo, esta é transferida as cápsulas, enchendo-as completamente. Para isso são usados dispositivos denominados encapsuladoras que podem ser manuais, semiautomáticas ou automáticas, como apresentado pelos vídeos abaixo:
Vídeo sobre o enchimento manual de cápsulas.
Vídeo sobre o funcionamento de uma encapsuladora semi automática.
Vídeo sobre o funcionamento de uma encapsuladora automática industrial.
Para referências, consultar Cápsulas.
Para referências, consultar Cápsulas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário