segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Produção de Comprimidos

A fabricação de comprimidos depende de processos inteiramente automatizados existindo, portanto, apenas na indústria. Há diversas alternativas na preparação de comprimidos, porém, de modo geral seguem sempre o mesmo fluxo de trabalho. Além disso, é necessário garantir a liberação do princípio ativo para a solução entero-gástrica através de perfis de Desintegração versus Dissolução.

Fluxo de trabalho para produção de comprimidos

1. A tamisação dos ingredientes ("peneiração");
2. Pesagem;
3. Mistura dos componentes (com masseira, misturador planetário, misturador em V, misturador cúbico, entre outros);
4. Granulação: Envolve uma leve agregação da mistura de pós deixando-os como grânulos auxiliando no processo de compressão(ver Vídeo ilustrativo do processo de granulação), podendo ser:

    • Granulação seca, via seca ou dupla compressão, que envolve:
      • Pré-compressão (promove a compactação dos pós para agregação, operação esta que pode ser realizada por uma variedade de equipamentos distintos);
      • Calibração (etapa que garante a obtenção de grânulos uniformes, o que é feito via oscilação. Geralmente se adiciona o lubrificante nesta etapa);
    • Granulação úmida (promove formação de grânulos via umidificação das partículas em equipamentos especiais), que envolve:
      • Preparo da solução aglutinante (geralmente um aglutinante dissolvido em água, álcool, PVP ou outros solventes);
      • Umectação (realizado em uma massadeira por meio da distribuição homogênea da solução umectante sobre a mistura de pós);
      • Granulação oscilante (etapa que envolve a passagem da massa em um tamis);
      • Secagem (realizado em estufas de circulação forçada de ar, leitos fluidizados, com redução da umidade até 2 ou 3%);
      • Calibração: idem granulação a seco.
5. Compressão: Processo que pode ser realizado por meio de equipamentos diversos, mas em geral todos são constituídos de um punção e uma matriz, responsáveis por dar forma ao comprimido (ver Vídeo ilustrativo do processo de compressão).

Vídeo ilustrativo do processo de granulação.


Vídeo ilustrativo sobre o processo de compressão.

Obs.: Há ainda um processo alternativo denominado compressão direta, nesta a mistura homogênea dos pós previamente tamisados e pesados passa direto para a compressão, não requerendo portanto as diversas etapas envolvidas no processo de granulação. Esta alternativa contudo envolve o uso de adjuvantes mais onerosos, e portanto a escolha desta metodologia depende do balanço entre os custos e limitações do processo de granulação se comparado aos custos dos adjuvantes para a compressão direta, ou ainda questões relacionadas à estabilidade dos ativos em cada um dos processos.


Vídeo exemplificando como se faz comprimido.

Na etapa de compressão, ainda pode ocorrer uma série de problemas
  • Capping” (quando a porção superior do comprimido se desprende, como uma tampa);
  • Laminação (quando o comprimido se desfaz em lâminas ou multicamadas);
  • Sticking” (quando ocorre a adesão do material do comprimido no punção, problema que pode estar relacionado com uma quantidade incorreta de lubrificante adicionado a mistura) e entre outros como o
  • Esfarelamento (o “fracasso total” do processo).

Desintegração versus Dissolução


A apresentação de medicamentos como comprimidos levou ao surgimento de mais um desafio: Após tantos processos de agregação e compactação, como garantir a liberação do princípio ativo para a solução entero-gástrica?



De fato a absorção de fármacos na mucosa depende que estes estejam em solução para serem capazes de cruzar as membrana celulares e atingirem a corrente sanguínea. O processo de dissolução (passagem das moléculas do estado não solúvel para o estado solúvel) é conditio sine qua non para a absorção, ou seja, a dissolução é essencial para a absorção.

Contudo, a dissolução depende do contato do solvente (água do sulco gástrico ou entérico) com o sólido, que nos comprimidos apenas ocorreria em superfície reduzida. Para a solução deste problema, na fabricação dos comprimidos são empregados os desintegrantes, que são componentes que facilitam a desintegração do comprimido. Os desintegrantes absorvem água do meio na mesma medida em que comprometem na agregação das partículas, e dado sua distribuição homogênea no comprimido, o resultado é a pulverização em meio aquoso aumentando a superfície das partículas em contato com o solvente. A dissolução ocorre em seguida, e depende da solubilidade do ativo em meio aquoso e no respectivo pH do ambiente em que se encontra. 

A exemplo, a nimesulida apresenta LogP 2,6 (SANGSTER, 1993), sendo portanto pouco hidrossolúvel, contudo a incrível farmacotécnica do comprimido permite que a desintegração ocorra in vitro (pH 6,8) em até 60 segundos (KRAEMER et al., 2012) e a dissolução de 75% do fármaco em até 5 minutos (SANTOS et al., 2015), e absorção com picos de concentrações plasmáticas em até uma hora e meia (MACPHERSON et al., 2013).

Para referências, consultar Comprimidos.

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